Por: Edivan Costa
18/04/2025
Entre todos os alimentos de Domingo de Páscoa, o cordeiro assado se destaca por seu profundo simbolismo espiritual e religioso. Presente desde o Antigo Testamento, ele é mais do que um prato tradicional — é um poderoso símbolo de fé, entrega e redenção. Para os cristãos, o cordeiro representa a figura de Jesus Cristo, reconhecido como o Cordeiro de Deus que se sacrificou voluntariamente para a salvação da humanidade.
Essa simbologia tem raízes na tradição judaica da Pessach (Páscoa judaica), em que um cordeiro era sacrificado e consumido em memória da libertação do povo hebreu do Egito. O sangue do cordeiro era passado nos umbrais das portas, sinalizando para o anjo da morte poupar os primogênitos das casas marcadas. Com o tempo, essa imagem foi incorporada à fé cristã, onde Jesus é visto como o novo cordeiro pascal, que livra a humanidade do pecado por meio de seu sacrifício.
Assim, servir cordeiro no almoço de Páscoa não é apenas uma escolha culinária refinada — é uma manifestação de fé e reverência. O prato representa o sofrimento de Cristo na cruz, mas também a vitória da vida sobre a morte, renovando a esperança dos fiéis na ressurreição e na vida eterna.
Nas famílias mais tradicionais, o cordeiro é colocado no centro da mesa como o prato principal da refeição pascal, cercado por orações, lembranças e gestos de gratidão. Muitos cristãos fazem questão de iniciar o almoço com uma oração, relembrando que a celebração da Páscoa vai além da festa: é um momento de renovação espiritual, de perdão e de reconexão com valores profundos.
Além de seu simbolismo, o cordeiro também carrega um valor histórico e cultural, especialmente entre os povos mediterrâneos e do Oriente Médio, onde é tradicionalmente preparado com ervas aromáticas, vinho, azeite e especiarias. No Brasil, essa herança foi trazida por imigrantes europeus e adaptada aos sabores locais, tornando-se um dos pratos mais sofisticados e emblemáticos da culinária típica da Semana Santa.
Por fim, é importante lembrar que o cordeiro na mesa não exige necessariamente um preparo religioso formal. Mesmo quem não segue práticas litúrgicas pode aproveitar a oportunidade para refletir sobre os significados do alimento, seus vínculos com a história da fé e a importância da união familiar em torno de uma refeição com propósito.