Por: Edivan Costa
03/05/2025
O caroço da fruta do conde, também conhecida como atemoia ou pinha em algumas regiões, levanta muitas dúvidas entre os consumidores, especialmente entre os que vivem no campo e têm contato direto com a fruta.
Será que faz mal engolir o caroço? Ele é venenoso? Serve para remédio? Abaixo, explicamos os principais mitos e verdades sobre o tema, com base em informações confiáveis e de forma bem acessível.
✅ Parcialmente verdadeiro
Em várias culturas tradicionais, o caroço da fruta-do-conde (e de outras frutas da família Annonaceae) é usado como remédio natural, principalmente moído ou em forma de pó. Há relatos de uso popular para combater:
Contudo, esse uso exige muito cuidado, pois o caroço contém substâncias potencialmente tóxicas, como anonaína e outras acetogeninas, que em excesso podem afetar o sistema nervoso ou causar reações tóxicas.
👉 Importante: o uso medicinal do caroço deve ser orientado por profissionais da área de saúde ou fitoterapia. Nunca se deve consumir o caroço por conta própria, especialmente moído ou em forma de chá caseiro.
Resumo: Pode ter uso medicinal tradicional, mas exige orientação. O uso errado pode ser perigoso.
❌ Mito
Essa é uma das lendas mais comuns no meio rural. Muita gente acredita que engolir caroços de frutas pode “parar no apêndice” e causar apendicite. Mas, do ponto de vista médico, isso não é verdade na maioria dos casos.
A apendicite é uma inflamação do apêndice, geralmente causada por:
Caroços engolidos acidentalmente, como os da fruta do conde, costumam passar pelo sistema digestivo sem problemas e são eliminados naturalmente pelas fezes. Casos de apendicite provocados por sementes são extremamente raros.
Resumo: Engolir um caroço por acidente dificilmente causará apendicite. A inflamação do apêndice tem outras causas principais.
Não existe qualquer comprovação científica de que o caroço da fruta-do-conde cause câncer. Essa crença muitas vezes surge por medo geral de substâncias naturais desconhecidas, ou por confusão com toxinas presentes em outras sementes (como as da maçã ou do pêssego, que contêm pequenas quantidades de cianeto).
No caso da fruta do conde, o caroço não apresenta relação com tumores ou câncer, seja ingerido, moído ou utilizado externamente. Contudo, como citado anteriormente, ele contém substâncias tóxicas que podem afetar o organismo se consumido em grandes quantidades, mas não têm ligação com células cancerígenas.
Resumo: O caroço da fruta do conde não causa câncer. Mas o consumo deve ser evitado por conter toxinas que podem causar outros problemas.